
Nós somos os povos das ilhas, das terras crescentes, das águas, das chapadas, dos grotões do Cerrado, nos misturamos com a natureza, somos parte do lugar. Somos reconhecidos como pescadores, vazanteiros, extrativistas, guias turísticos, agricultores familiares, vivemos do nosso ofício de manejar a natureza, tirando dela o alimento, o remédio, o sustento e a inspiração para criar.

Nossa dinâmica política-comunitária de organização em rede permitiu enfrentar os desafios que nos impediam de ter um sentido comum, próprio dos agroextrativistas, de nos aproximarmos. Com a nossa vivência de rede, aproveitamos a riqueza de toda a nossa diversidade cultural, biológica e política para mostrar que existe um outro Cerrado de populações que tecem suas vidas, há alguns milênios e outras há séculos retirando do Cerrado o sustento para corpo e o espírito.
Assim, aprendemos que o processo em rede potencializa a participação comunitária em espaços públicos, permite maior enfrentamento quanto a padronização da vida, pois na Rede estamos inventando uma outra economia agroextrativista. E como podemos ver a seguir, essas mudanças se materializaram em conquistas junto ao poder público:
Ocupação de territórios - empate ao agronégocio no Cerrado
- A criação das primeiras Reservas Extrativistas no bioma Cerrado: Lago do Cedro – Aruanã/GO, Recanto das Araras de Terra Ronca-São Domingos e Guarani /GO, decreto de 11 de setembro de 2006;
- Consagração da luta pela terra, água e Cerrado, desencadeada pela Rede, através da solicitação pela Rede de criação de 10 Resex’s, envolvendo 600 famílias e uma área total de 300.000 hectares - “não lutamos por terra, mas por território, por um determinado modo de se apropriar, tornar próprio a natureza, o espaço e o tempo, de tornar-se extrativista”;
- Aplicação do passivo ambiental dos assentamentos da reforma agrária, na aquisição das áreas de Resex’s, como parte legal do decreto das mesmas;
- Reconhecimento pelo CNPT/ICMBIO do processo de auto-gestão das Reservas extrativistas na dinâmica política - comunitária da Rede;
Valorização da Economia Agroextrativista no Cerrado-incentivos fiscais
- Criação da portaria 18/2002-N da Agência Goiana de Meio Ambiente, que proíbe o corte do Baru (Dipteryx alata) no estado de Goiás.
- Aprovação da Lei nº15.051, de 29 de dezembro de 2004, que trata da matéria tributária dispondo sobre a redução de base de cálculo do Imposto de Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) sobre a industrialização de produtos típicos do cerrado (antes era 17% e com a lei passou para 7%). Foi resultado das reivindicações da Rede junto ao Governo de Goiás;
- Elaboração de Projeto de Lei para Proteção do Baru, no município de Lassance/MG, baseado na portaria de proibição do corte do baru no estado de Goiás;
Visibilidade social em Rede dos Agroextrativistas do Cerrado
- Comodato de áreas públicas para construção de unidades territoriais de armazenamento: nos Municípios de São Domingos/GO, Ibiaí/MG, Paracatu/MG, Goiás/GO, Goiânia/GO e Jandaia/GO;
- Viabilização pelo processo em rede ao acesso coletivo aos recursos públicos (PRONAT- Programa Nacional de Desenvolvimento Sustentável de Territórios Rurais) para construção de agroindústrias: Entreposto de Produtos Apícolas e Usina de Óleos Vegetais;
- Alimentação escolar, introdução de produtos regionais agroextrativistas (baru e jatobá) no cardápio de 513 instituições de 15 municípios do estado de Goiás, através da comercialização de cookies e granolas de baru e jatobá, mel e gergelim pelo Programa de Aquisição de Alimentos, do Fome Zero via CONAB;
- Reconhecimento da Rede pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário - MDA, como instituição implementadora de Assistência Técnica - ATER;
- A Rede foi um dos estudos de caso piloto do FACES do Brasil - Fórum de Articulação do Comércio Ético e Solidário que contribuiu para a construção do sistema nacional de comércio justo, ético e solidário;
- Constituição da Rede Cred - Cooperativa de Crédito Solidário da Rede de Comercialização Solidária, autorizado pelo Banco Central em novembro de 2006;
Faça download do documento de Sistematização da Rede:
Sistematização da Rede de Comercialização Solidária (PDF de 200Kb)
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