
Nós somos os povos das ilhas, das terras crescentes, das águas, das chapadas, dos grotões do Cerrado, nos misturamos com a natureza, somos parte do lugar. Somos reconhecidos como pescadores, vazanteiros, extrativistas, guias turísticos, agricultores familiares, vivemos do nosso ofício de manejar a natureza, tirando dela o alimento, o remédio, o sustento e a inspiração para criar.

Nosso povo vivia do uso comunal do Cerrado e suas paisagens, coletando frutos, cascas, raízes, resinas, flores, fibras, remédios, criando pequenos animais e o gado a solta, cultivando pequenas roças para o sustento da família. Como a terra passou a ser mercadoria, fomos expulsos das áreas de domínio comum, obrigados a viver encurralados nos grotões do cerrado ou em pequenos povoados, isolados. E a nossa luta é pela garantia do direito a convivência com o Cerrado.