
Nós somos os povos das ilhas, das terras crescentes, das águas, das chapadas, dos grotões do Cerrado, nos misturamos com a natureza, somos parte do lugar. Somos reconhecidos como pescadores, vazanteiros, extrativistas, guias turísticos, agricultores familiares, vivemos do nosso ofício de manejar a natureza, tirando dela o alimento, o remédio, o sustento e a inspiração para criar.

As dinâmicas que embalam os agroextrativistas que constroem a Rede estão baseadas no envolvimento político-comunitário das famílias, nos princípios que os une e re-une como agricultores, pescadores, extrativistas, vazanteiros, povos do Cerrado.
Essas dinâmicas são praticas sociais, da quais nos tornamos parte - monitores, famílias, conselho, assessoria - apropriando saberes e fazeres, para nela intervir, recriando a atuação em rede.
Dinâmica Sócio-Produtiva dos Agroextrativistas da Rede
-
É uma configuração da dinâmica político-comunitária territorial no bioma Cerrado, onde os agroextrativistas organizados em núcleos comunitários (composto de 5 a 6 famílias) discutem, planejam e realizam a produção agroecológica e o manejo sustentável do cerrado, unindo de forma solidária, simultânea e recíproca comunidades e municípios, formando territórios em rede. Esta dinâmica é marcada pela participação social, formando uma malha horizontal, que une famílias, monitores, conselheiros e assessoria, que tem como espaços deliberativos os Fóruns Territoriais e Assembléia.
Processo de Capacitação de Agroextrativista a Agroextrativista
- É uma dinâmica baseada na prática educativa e solidária dos agroextrativistas, que buscam estabelecer uma maior autonomia em relação a: assistência técnica, gestão, produção e organização, por meio do processo de aprendizagem-ação, do saber fazer técnico e político dos monitores (as) agroextrativistas do Cerrado.
Os monitores são agroextrativistas escolhidos pelas próprias famílias do seu núcleo comunitário que a partir da formação em agroecologia assumem o compromisso de capacitar às famílias do núcleo comunitário, realizando reuniões, oficinas, dias de campo, mutirões comunitários, campos de demonstração agroecológica, áreas de monitoramento.
Esta prática educativa comunitária contribui no processo de estudo das famílias sobre agroecologia, preparando-as para construir, inovar e implementar o manejo dos agro ecossistemas como forma de aumentar a eficiência biológica geral, manter a capacidade produtiva e auto-suficiência do agro ecossistema.
A formação dos monitores é realizada pelo CEDAC, no Centro de Formação em Agroecologia em sistema de alternância entre a comunidade e as atividades de formação no Centro.



Processo de Certificação Participativa em Rede
- É um sistema de garantias próprio construído pelos agroextrativistas participantes da Rede, a partir dos princípios da agroecologia que demonstram como é realizada a auto-gestão, a capacitação, a produção, o manejo, a agroindustrialização e a comercialização de forma responsável, transparente, justa e solidária com o ambiente e as pessoas, a partir do envolvimento direto dos agroextrativistas do Cerrado. Este processo possibilita as famílias organizadas nos núcleos comunitários à valorização do seu saber-fazer e do uso sustentável dos recursos naturais num território, de forma a desenvolver seus conhecimentos sobre a agroecologia na propriedade familiar a partir do intercâmbio entre núcleos, construção de acordos comunitários, verificação participativa, realização de visitas, acompanhamento dos monitores, produzindo alimentos saudáveis para o consumo.
Processos de Autogestão dos Empreendimentos em Rede
- Autogestão dos empreendimentos em rede é um sistema compartilhado que permite a tomada de decisão a partir da participação direta das famílias organizadas nos núcleos comunitários que planejam, organizam a produção, constroem a formação do preço justo dos produtos, que passam a ser discutidos com os conselheiros e assessoria.
Crédito Solidário
- É um sistema de micro-finanças voltado para o agro extrativista dentro da sua dinâmica político-comunitária que visam o fortalecimento de ações comunitárias, produtivas, agroecológicas, custeio familiar entre outros. Os monitores assumem o papel de agentes de crédito no núcleo comunitário.
Clique na imagem para ampliar: